Nevar

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Sincera, clara, objetiva, odeio falsidades, ansiosa, discreta, cristã, filha, irmã, neta, prima, aluna, cunhada, esposa, mãe,sobrinha, tia, sogra, avó, professora, terapeuta, psicopedagoga, conselheira, amiga e apaixonada.

Mulher de verdade!!!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Curso ANEE / DF II

APRESENTAÇÃO
As autoras deste livro se esmeraram ao
ilustrar o que pensam e o que fazem no
sentido de dar acesso e garantir o
prosseguimento de estudar dos alunos com
deficiência física.
D a sofisticação da alta tecnologia ao
material facilmente elaborado e criativo
de baixa tecnologia, o que se quer
demonstrar é que há muito a ser propiciado pelos
sistemas educacionais às pessoas com problemas
físicos, para que elas possam superar dificuldades,
ao se defrontarem com um ambiente escolar e
social inadequado às suas necessidades.
O material aqui apresentado e o modo de
utilizá-lo em AEE é um convite a
arregaçarmos as mangas para
colocarmos nossas mãos à obra.
Coordenação do Projeto.
SUMÁRIO
CAPÍTULO I
Conhecendo o aluno com deficiência física........ 15
 Organização Básica do Sistema Nervoso........ 15
 Plasticidade Neural...... 17
 Importância da Estimulação Precoce.......19
 Deficiência: Terminologia e Educação Inclusiva..... 19
 Deficiência Física........... 22
CAPÍTULO II
Atendimento Educacional
Especializado para a Deficiência Física.... 27
 O Atendimento Educacional Especializado e o uso da
Tecnologia Assistiva no ambiente escolar.................. 27
 Que recursos humanos são necessários ao
Atendimento Educacional Especializado
para a Deficiência Física?.. 28
CAPÍTULO III
Tecnologia  Assistiva -TA............ 31
 Avaliação e implementação da TA........... 35
 Modalidades da TA........ 36
CAPÍTULO IV
Auxílio em atividades de vida diária
Material Escolar e Pedagógico Adaptado....... 41
 1. Resolvendo com criatividade problemas funcionais.......... 41
 2. Rompendo barreiras para o aprendizado.......... 52
CAPÍTULO V
COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA - CAA....... 57
 1. Introdução à CAA.... 57
 2. O que é a Comunicação Aumentativa e Alternativa... 58
3. Quem pode se beneficiar do uso de CAA?.........59
 4. Sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa - SCAA........60
 5. O que são os recursos de CAA? ............ 60
 6. Acessórios e idéias para criarmos recursos de
comunicação, utilizando baixa tecnologia........... 65
 7. Algumas sugestões para o trabalho com a Simbologia
Gráfica PCS e confecção de recursos de CAA............................. 72
 8. Quando iniciar com a CAA.......... 74
 9. Trabalho em equipe............. 74
 10. Como iniciar/ensinar o uso da CAA............ 74
 11. Considerações que ajudam a determinar o formato do recurso de CAA......... 76
 12. Técnicas de seleção............. 78
 13. Os recursos de alta tecnologia utilizados na CAA.............. 81
 14. Conclusão.............. 83
CAPÍTULO VI
RECURSOS DE ACESSIBILIDADE AO COMPUTADOR............. 87
 1. Função do Teclado.............. 88
 2. Função do Mouse.......... 91
 3. Apoio à escrita e à leitura............ 100
CAPÍTULO VII
ACESSIBILIDADE ARQUITETÔNICA......... 105
CAPÍTULO VIII
ALINHAMENTO E ESTABILIDADE POSTURAL:
COLABORANDO COM AS QUESTÕES DO APRENDIZADO...... 111
 1. Revisando conceitos e colocando em prática a
Adequação Postural......112
 2. Noções sobre avaliação e indicação de
recursos posturais.....113
 3. Tônus Muscular e os Reflexos Tônicos..........117
 4. Fotos de Recursos Posturais e Resultados........121
 5. Referências Bibliográficas..........123
CAPÍTULO IX
CONSIDERAÇÕES FINAIS................129
Sobre este livro
Este texto tem por objetivo levar o professor a refletir
e construir um saber e uma prática sobre o
Atendimento Educacional Especial – AEE destinado
aos alunos com deficiência física.
Buscando entender a deficiência, em especial a
deficiência física, introduziremos o conhecimento de uma
organização básica do Sistema Nervoso - SN, que desempenha
uma função coordenadora de nossas ações, a partir de
experiências e aprendizados.
Procuraremos também definições que esclareçam a
terminologia deficiência e deficiência física bem como a
funcionalidade e participação
social da pessoa com deficiência,
entendendo que suas restrições
não são somente impostas pela
condição física (alteração da
estrutura e função do corpo
biológico), mas os aspectos
psicológicos, educacionais e
sociais também determinam
possibilidades e impedimentos
de desenvolvimento de
habilidades e de inclusão do
aluno com deficiência.
A deficiência física pode
ter origem em diferentes etiologias
e nosso objetivo não será o de
listar e definir a evolução de cada quadro clínico, como um
compêndio médico, mas esclarecer que existem quadros que
são estáveis e outros progressivos, àqueles que precisarão
atenção de saúde constante e que merecem cuidados
específicos. Falaremos também de possíveis complicações
associadas à deficiência física e que nos remetem na busca e
no estudo de alternativas que contribuam para eliminar as
barreiras da aprendizagem.
Por fim trabalharemos especificamente sobre o AEE
e outras questões práticas de organização escolar que
promoverão o acolhimento e o desenvolvimento do aluno
com deficiência física na rede regular de ensino.
Exploraremos o conceito
da Tecnologia Assistiva e sua
ligação com o AEE na deficiência
física, especificando as seguintes
modalidades:
• Auxílio em Atividades de
Vida Diária – Material Escolar
e Pedagógico Adaptado.
• Comunicação Aumentativa e
Alternativa.
• Informática Acessível.
• Acessibilidade e Adaptações
Arquitetônicas.
• Mobiliário – Adequação
Postural – Mobilidade.
15
Capítulo I - Conhecendo o Aluno com Deficiência Física
Conhecendo o aluno com deficiência física
Rita Bersch
Rosângela Machado
Organização básica do Sistema
Nervoso
O papel primário do Sistema Nervoso (SN) é
coordenar e controlar a maior parte das
funções de nosso corpo. Para fazer isso, o
Sistema Nervoso recebe milhares de informações dos
diferentes órgãos sensoriais e, a seguir, integra todas elas,
para depois determinar a resposta
a ser executada pelo corpo. Essa
resposta será expressa pelo
comportamento motor, atividade
mental, fala, sono, busca por
alimento, regulação do equilíbrio
interno do corpo, entre outros.
Experiência Sensorial
ê
Processamento das
Informações
ê
Emissão de Comportamento
Experiências sensoriais podem provocar uma
reação imediata no corpo ou podem ser armazenadas
como memória no encéfalo por minutos, semanas ou
anos, até que sejam utilizadas num futuro controle de
atividades motoras ou em processos intelectuais.
A cada momento somos bombardeados por
milhares de informações, no entanto, armazenamos e
utilizamos aquelas que, de alguma forma, sejam significativas
para nós e descartamos outras não relevantes.
Aprendemos aquilo
que vivenciamos e a
oportunidade de relações e
correlações, exercícios,
observações, auto-avaliação e
aperfeiçoamento na execução
das tarefas fará diferença na
qualidade e quantidade de
coisas que poderemos aprender
no curso de nossas vidas.
Conforme explicita o
documento do Ministério da
Educação (MEC, 2003, p. 19):
16
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Física
Piaget afirma que a inteligência
se constrói mediante a troca entre o
organismo e o meio, mecanismo pelo
qual se dá a formação das estruturas
cognitivas. “O organismo com sua
bagagem hereditária, em contato com o
meio, perturba-se, desequilibra-se e, para
superar esse desequilíbrio e se adaptar,
constrói novos esquemas.
E continua o documento...
Dessa maneira, as ações da
criança sobre o meio: fazer coisas, brincar
e resolver problemas podem produzir
formas de conhecer e pensar mais
complexas, combinando e criando novos
esquemas, possibilitando novas formas
de fazer, compreender e interpretar o
mundo que a cerca.
O aprendizado tem início muito precoce.
Durante a primeira etapa do desenvolvimento infantil
a criança especializa e aumenta seu repertório de
relações e expressões através dos movimentos e das
sensações que estes lhe proporcionam; das ações que
executa sobre o meio; da reação do meio, novamente
percebida por ela. Sensações experimentadas,
significadas afetiva e intelectualmente, armazenadas e
utilizadas, reutilizadas e percebidas em novas relações
e, assim por diante, vão formando um banco de dados
que no futuro será retomado em processamentos cada
vez mais complexos e abstratos.
Camargo (1994, pg. 20) citando Piaget diz:
“É a criança cientista, interessada em relações de
causalidade, empírica ainda, mas sempre em busca de
novos resultados por tentativa e erro”.
Desta forma podemos dizer que à medida
que a criança evolui no controle de sua postura e
especializa seus movimentos, sendo cada vez mais
capaz de deslocar-se e aumentar sua exploração do
meio, está lançando as bases de seu aprendizado, seu
corpo está sendo marcado por infinitas e novas
sensações.
Lefèvre é também citado por Camargo (1994,
pg. 17) e diz:
Desde o nascimento, o cérebro
infantil está em constante evolução
através de sua inter-relação com o meio.
A criança percebe o mundo pelos
sentidos, age sobre ele, e esta interação se
modifica durante a evolução, entendendo
melhor, pensando de modo mais
complexo, comportando-se de maneira
mais adequada, com maior precisão
práxica, à medida que domina seu corpo.
Neste sentido, a criança com deficiência
física não pode estar em um mundo à parte para
desenvolver habilidades motoras. É preciso que ela
receba os benefícios tecnológicos e de reabilitação em
constante interação com o ambiente ao qual ela
pertence. É muito mais significativo à criança
desenvolver habilidades de fala se ela tem com quem
se comunicar. Da mesma forma, é mais significativo
desenvolver habilidade de andar se para ela está
garantido o seu direito de ir e vir.
O ambiente escolar é para qualquer criança
o espaço por natureza de interação de uns com os
outros. É nesse espaço que nos vemos motivados a
estabelecer comunicação, a sentir a necessidade de se
locomover, entre outras habilidades que nos fazem
pertencer ao gênero humano. O aprendizado de
habilidades ganha muito mais sentido quando a
criança está imersa em um ambiente compartilhado
que permite o convívio e a participação. A inclusão
escolar é a oportunidade para que de fato a criança
com deficiência física não esteja à parte, realizando
atividades meramente condicionadas e sem sentido.
Plasticidade Neural
Uma das importantes características do
Sistema Nervoso é denominada “Plasticidade Neural”.
Mas o que é a plasticidade? É a habilidade de tomar a
forma ou alterar a forma e funcionamento a partir da
demanda ou exigência do meio.
A plasticidade do Sistema Nervoso acontece
no curso do desenvolvimento normal e também em
casos de pessoas que retomam seu desenvolvimento,
após sofrerem agressões e lesões neurológicas.
Durante o 1ª ano de vida da criança
percebemos alterações constantes de sua expressão
motora com progressivo incremento de habilidades.
Essa evolução normal corresponde às aquisições do
desenvolvimento motor normal, determinado
filogeneticamente, ao longo da evolução. Sabemos,
portanto, que a qualidade de oportunidades e vivências
dessa criança acelerará ou retardará essa evolução.
O desenvolvimento englobará também
interferências de fatores genéticos e ambientais e neste
ponto encontraremos diferenciações entre indivíduos
e grupos de indivíduos com características genéticas
distintas.
Posteriormente o desenvolvimento evolui
para o surgimento de habilidades, que dependem de
aprendizado específico e por isso acontece somente
naqueles que receberam estímulos próprios para o
desenvolvimento dessa habilidade.
No curso de todo o desenvolvimento humano
os fatores ambientais estarão provocando e instigando
o desenvolvimento dos centros neurológicos que vão se
organizando e reorganizando a partir desta demanda.
Pessoas que sofreram lesões neurológicas
não fogem desta regra, elas devem então reorganizar
seus sistemas de controle neurais para a retomada de
tarefas perdidas ou aprendizado de outras desejadas.
Mais do que nunca, a “oportunidade” fará a diferença
e precisaremos instigar através da estimulação os
“centros de controle” a reorganizarem-se para assumir
a função da parte lesada. Nesse caso, a quantidade e,
mais ainda, a qualidade de estímulos proporcionados
à criança possibilitará o desenvolvimento máximo de
suas potencialidades e isso justifica a importância de
criarmos oportunidades comuns de convivências e
desafios para o desenvolvimento.
A abordagem pedagógica para
as crianças com deficiência múltipla na
educação infantil enfatiza o direito de ser
criança, poder brincar e viver experiências
significativas de forma lúdica e informal.
Assegura ainda o direito de ir à escola,
aprender e construir o conhecimento de
forma adequada e mais sistematizada, em
companhia de outras crianças em sua
comunidade. (MEC, 2003, p. 12)
A educação infantil, nesse
contexto, tem duas importantes funções:
“cuidar” e “educar”. Cuidar tem o sentido
de ajudar o outro a se desenvolver como
ser humano, atender às necessidades
básicas, valorizar e desenvolver
capacidades. Educar significa propiciar
situações de cuidado, brincadeiras e
aprendizagens orientadas de forma
integrada que possam contribuir para o
desenvolvimento das capacidades infantis
de relação interpessoal, de ser e estar com
os outros em uma atitude básica de
aceitação, respeito, confiança, e o acesso,
pelas crianças, aos conhecimentos mais
amplos da realidade social e cultural.
(BRASIL, 1998, pp. 23 e 24)
Como fica o conhecimento sobre a plasticidade
neural no ambiente escolar?
O ambiente escolar promove desafios de
aprendizagem. Privar uma criança ou um jovem dos
desafios da escola é impedi-los de se desenvolverem. Não
podemos aprisionar a nossa concepção equivocada de
limitação. O estudo da plasticidade neural vem nos
demonstrar que o ser humano é ilimitado e que, apesar das
condições genéticas ou neurológicas, o ambiente tem forte
intervenção nesses fatores. Quanto mais o meio promove
situações desafiadoras ao indivíduo, mais ele vai responder
a esses desafios e desenvolver habilidades perdidas ou que
nunca foram desenvolvidas. Se propusermos situações de
acordo com a limitação da criança, ela não encontrará
motivos para se sentir desafiada.
Uma criança com atraso no desenvolvimento
motor, ou com uma paralisia cerebral, quando incluída em
ambiente escolar inclusivo, tem inúmeras razões para se
sentir provocada a desenvolver habilidades que não
desenvolveria em um ambiente segregado.
Importância da Estimulação Precoce
No processo de desenvolvimento, uma das
coisas que diferencia um bebê com deficiência física
de outro, é que ele, pela impossibilidade de deslocar-se
para explorar espontânea e naturalmente o meio,
passa a ter privações de experiências sensoriais.
Justifica-se, então, a importância da intervenção em
estimulação precoce dessa criança, favorecendo com
que ela tenha uma relação rica com o outro e com o
meio. A educação infantil, proposta nos espaços da
creche e pré-escola, possibilitará que a criança com
deficiência experimente aquilo que outros bebês e
crianças da mesma idade estão vivenciando:
brincadeiras corporais, sensoriais, músicas, estórias,
cores, formas, tempo e espaço e afeto.
Buscando construir bases e alicerces para o
aprendizado, a criança pequena com deficiência
também necessita experimentar, movimentar-se e
deslocar-se (mesmo do seu jeito diferente); necessita
tocar, perceber e comparar; entrar, sair, compor e
desfazer; necessita significar o que percebe com os
sentidos, como qualquer outra criança de sua idade.
Hoje, é indiscutível o benefício
que traz, para qualquer criança,
independentemente de sua condição física,
intelectual ou emocional, um bom
programa de educação infantil do
nascimento aos seis anos de idade.
Efetivamente, esses programas têm por
objetivos o cuidar, o desenvolvimento das
possibilidades humanas, de habilidades,
da promoção da aprendizagem, da
autonomia moral, intelectual e,
principalmente, valorizam as diferentes
formas de comunicação e de expressão
artística. O mesmo referencial curricular
nacional para a educação infantil (BRASIL,
1998) recomendado para as outras crianças
é essencial para estas com alterações
significativas no processo de
desenvolvimento e aprendizagem, pois
valoriza: o brincar como forma particular
de expressão, pensamento, interação e
comunicação infantil, e a socialização das
crianças por meio de sua participação e
inserção nas mais diversificadas práticas
sociais, sem discriminação de espécie
alguma. (Brasil, 2003, p. 9)
Deficiência: Terminologia e Educação
Inclusiva
A terminologia é uma questão complexa, mas
discussões realizadas têm demonstrado que podemos
aliar as classificações à perspectiva inclusiva.
Uma primeira análise dos estudos
terminológicos compreende a classificação adotada
pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual
evoluiu de acordo com a concepção sobre as pessoas
com deficiência e conforme a saúde foi interagindo
com as outras áreas do conhecimento. A classificação
denominada International Classification of Impairment,
Disabilities and Handicaps (ICIDH), traduzida em
Português como Classificação Internacional de
Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (CIDID),
traz termos avançados em relação a épocas anteriores.
Essa classificação foi lançada em 1976, em
Assembléia Geral da Organização Mundial da Saúde
em caráter experimental, e publicada em 1980, tal é a
fragilidade das categorizações. A ICIDH é baseada na
trilogia impairment (deficiência), disability
(incapacidade) e handicap (desvantagem). A deficiência
é entendida como uma manifestação corporal ou
como a perda de uma estrutura ou função do corpo;
a incapacidade refere-se ao plano funcional,
desempenho do indivíduo e a desvantagem diz
respeito à condição social de prejuízo, resultante da
deficiência e/ou incapacidade.
Uma situação de incapacidade pode ser
transformada e podemos exemplificar com o caso de
um aluno com deficiência visual – baixa visão,
freqüentando a sala de aula do ensino regular. Ele tem
uma deficiência, mas se a escola produz a ampliação
das letras dos textos usados na sala de aula, produz
cadernos com pautas espaçadas, tem lupas manuais ou
eletrônicas, com certeza ele não terá uma incapacidade
de lidar com a escolarização, porque o ambiente
possibilitou condições de acessibilidade.
O estudo da terminologia com base nos
documentos da OMS confirma a idéia de que os
serviços de educação especial são de fundamental apoio
ao ensino regular para que não transformemos a
deficiência em uma incapacidade.
A OMS não cessa aí sua discussão sobre
classificação das pessoas com deficiência e, no fim de
1997, a ICIDH passa por uma intensa revisão. Surge,
então, a ICIDH2, com base em outra trilogia:
deficiência, atividade e participação. A nova abordagem
não nega a deficiência, demonstrando que é necessário
assumi-la para superá-la. O conceito de deficiência,
portanto, permanece; o de atividade refere-se à
execução propriamente dita de uma atividade do
indivíduo e não a sua aptidão em realizá-la; o de
participação compreende a interação entre o indivíduo
e o ambiente. Para Dischinger (2004, p. 20) a principal
diferença entre as duas ICDHI é que a segunda não se
prende às qualidades da deficiência, mas tende a
abordar os recursos necessários aos indivíduos para a
criação de ambientes menos restritivos que favoreça a
participação de todos.
Para não cairmos em interpretações
equivocadas e preconceituosas, é necessário atrelar as
terminologias aos seus conceitos. De acordo com
Fávero (2004, p. 22), “quanto mais natural for o modo
de se referir à deficiência, como qualquer outra
característica da pessoa, mais legitimado é o texto”.
Em 2001, uma terceira classificação foi
lançada pela OMS, agora intitulada International
Classification of Functioning, disability and Health
(ICF), em português, Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade ou Restrição e Saúde.
Essa descreve a vida dos indivíduos de acordo com sua
saúde. A nova classificação surge devido a uma interação
da saúde com as questões sociais. As inovações dessa
classificação são as medidas sociais e judiciais tomadas
para garantir acessibilidade e tratamento específico aos
que necessitam. O termo funcionamento traz uma
questão positiva que é a de relacionar as funções e as
estruturas do corpo com as atividades e a participação
dos indivíduos. São todas as atividades que o indivíduo
pode desempenhar na sociedade, levando em
consideração os acessos promovidos. A incapacidade,
segundo Dischinger (2004, p. 23), de realização de
alguma atividade não é somente o resultado da limitação
da função corporal, mas também o da interação das
funções corporais e as demandas, costumes, práticas e
organização do meio em que está inserido.
Sabemos que não são as terminologias que
definem nossa atitude perante uma pessoa com
deficiência. A exemplo disso, o aluno pode ter uma
deficiência sem sentir-se deficiente quando o poder
público provê, em suas escolas, meios de acessibilidade
que garantem o direito de ir e vir de uma criança ou
jovem e quando as barreiras de aprendizagem são
removidas pelos recursos disponíveis, tanto materiais
quanto humanos.
A deficiência, vale lembrar, é marcada pela
perda de uma das funções do ser humano, seja ela física,
psicológica ou sensorial. O indivíduo pode, assim, ter
uma deficiência, mas isso não significa necessariamente
que ele seja incapaz; a incapacidade poderá ser
minimizada quando o meio lhe possibilitar acessos.
As terminologias da OMS colaboram no
sentido de não concebermos a deficiência como algo
fixado no indivíduo. Esta não pode sofrer uma
naturalização de modo a negar os processos de evolução
e de interação com o ambiente. A conceituação da
deficiência serve, portanto, para definirmos políticas de
atendimentos, recursos materiais, condições sociais e
escolares. A OMS, como vimos, não negou a deficiência,
mas cumpre observar que a sua intenção não é a de
discriminação. Ela faz a diferenciação pela deficiência
para conhecer quais as necessidades do indivíduo. A
Guatemala, promulgada no Brasil pelo Decreto nª
3.956/2001, deixa clara a proibição de qualquer
diferenciação que implique exclusão ou restrição de
acesso a direitos fundamentais. Porém, essa diferenciação
deve ser feita toda vez que a mesma beneficie a pessoa
com deficiência como relata Mantoan (2004, p. 5):
De acordo com o princípio da
não discriminação, trazido pela Convenção
da Guatemala, espera-se que na adoção da
máxima “tratar igualmente os iguais e
desigualmente os desiguais” admitam-se as
diferenciações com base na deficiência
apenas com o propósito de permitir o
acesso ao direito e não para negar o
exercício dele.
Embora reconheçamos os limites das
terminologias, devemos ter claro que elas podem nos
auxiliar na busca de serviços e recursos que garantam a
pessoa com deficiência sua participação na sociedade.
Deficiência Física
No Decreto nª 3.298 de 1999 da legislação
brasileira, encontramos o conceito de deficiência e de
deficiência física, conforme segue:
Art. 3ª: - Para os efeitos deste
Decreto, considera-se:
I - Deficiência – toda perda ou
anormalidade de uma estrutura ou função
psicológica, fisiológica ou anatômica que
gere incapacidade para o desempenho de
atividade, dentro do padrão considerado
normal para o ser humano;
Art. 4ª: - Deficiência Física –
alteração completa ou parcial de um ou mais
segmentos do corpo humano, acarretando o
comprometimento da função física,
apresentando-se sob a forma de paraplegia,
paraparesia, monoplegia, monoparesia,
tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia,
hemiplegia, hemiparesia, amputação ou
ausência de membro, paralisia cerebral,
membros com deformidade congênita ou
adquirida, exceto as deformidades estéticas e
as que não produzam dificuldades para o
desempenho de funções.
O comprometimento da função física
poderá acontecer quando existe a falta de um
membro (amputação), sua má-formação ou
deformação (alterações que acometem o sistema
muscular e esquelético).
Ainda encontraremos alterações funcionais
motoras decorrentes de lesão do Sistema Nervoso e,
nesses casos, observaremos principalmente a alteração
do tônus muscular (hipertonia, hipotonia, atividades
tônicas reflexas, movimentos involuntários e
incoordenados). As terminologias “para, mono, tetra, tri
e hemi”, diz respeito à determinação da parte do corpo
envolvida, significando respectivamente, “somente os
membros inferiores, somente um membro, os quatro
membros, três membros ou um lado do corpo”.
O documento “Salas de Recursos
Multifuncionais. Espaço do Atendimento Educacional
Especializado” publicado pelo Ministério da Educação
afirma que:
A deficiência física se refere ao
comprometimento do aparelho locomotor
que compreende o sistema Osteoarticular,
o Sistema Muscular e o Sistema Nervoso.
As doenças ou lesões que afetam quaisquer
desses sistemas, isoladamente ou em
conjunto, podem produzir grande
limitações físicas de grau e gravidades
variáveis, segundo os segmentos corporais
afetados e o tipo de lesão ocorrida.
(BRASIL, 2006, p. 28)
Na escola encontraremos alunos com
diferentes diagnósticos. Para os professores será
importante a informação sobre quadros progressivos
ou estáveis, alterações ou não da sensibilidade tátil,
térmica ou dolorosa; se existem outras complicações
associadas como epilepsia ou problemas de saúde que
requerem cuidados e medicações (respiratórios,
cardiovasculares, etc.). Essas informações auxiliarão o
professor especializado a conduzir seu trabalho com o
aluno e orientar o professor da classe comum sobre
questões específicas de cuidados.
Deveremos distinguir lesões neurológicas não
evolutivas, como a paralisia cerebral ou traumas medulares,
de outros quadros progressivos como distrofias musculares
ou tumores que agridem o Sistema Nervoso. Nos
primeiros casos temos uma lesão de característica não
evolutiva e as limitações do aluno tendem a diminuir a
partir da introdução de recursos e estimulações específicas.
Já no segundo caso, existe o aumento progressivo de
incapacidades funcionais e os problemas de saúde
associados poderão ser mais freqüentes.
Algumas vezes os alunos estarão impedidos
de acompanhar as aulas com a regularidade necessária,
por motivo de internação hospitalar ou de cuidados
de saúde que deverão ser priorizados. Neste momento,
o professor especializado poderá propor o atendimento
educacional hospitalar ou acompanhamento
domiciliar, até que esse aluno retorne ao grupo, tão
logo os problemas de saúde se estabilizarem.
Sabemos também que nem sempre a
deficiência física aparece isolada e em muitos casos
encontraremos associações com privações sensoriais
(visuais ou auditivas), deficiência mental, autismo etc.
e, por isso, o conhecimento destas outras áreas também
auxiliará o professor responsável pelo atendimento
desse aluno a entender melhor e propor o Atendimento
Educacional Especializado – AEE necessário.
Existe uma associação freqüente entre a
deficiência física e os problemas de comunicação,
como nos caso de alunos com paralisia cerebral. A
alteração do tônus muscular, nessas crianças,
prejudicará também as funções fonoarticulatórias,
onde a fala poderá se apresentar alterada ou ausente.
O prejuízo na comunicação traz dificuldades na
avaliação cognitiva dessa criança, que comumente é
percebida como deficiente mental. Nesses casos, o
conhecimento e a implementação da Comunicação
Aumentativa e Alternativa, no espaço do atendimento
educacional, será extremamente importante para a
escolarização deste aluno.
[...] é necessário que os
professores conheçam a diversidade e a
complexidade dos diferentes tipos de
deficiência física, para definir estratégias
de ensino que desenvolvam o potencial
do aluno. De acordo com a limitação
física apresentada é necessário utilizar
recursos didáticos e equipamentos
especiais para a sua educação buscando
viabilizar a participação do aluno nas
situações prática vivenciadas no cotidiano
escolar, para que o mesmo, com
autonomia, possa otimizar suas
potencialidades e transformar o ambiente
em busca de uma melhor qualidade de
vida. (BRASIL, 2006, p. 29)
CAPÍTULO II
Capítulo II - Atendimento Educacional Especializado
 para a Deficiência Física
Atendimento Educacional Especializado Para a
Deficiência Física
Rita Bersch
Rosângela Machado
Na deficiência física encontramos uma diversidade
de tipos e graus de comprometimento que
requerem um estudo sobre as necessidades
específicas de cada pessoa.
Para que o educando com deficiência
física possa acessar ao conhecimento escolar e
interagir com o ambiente ao qual ele freqüenta,
faz-se necessário criar as condições adequadas à sua
locomoção, comunicação, conforto e segurança. É o
Atendimento Educacional Especializado, ministrado
preferencialmente nas escolas do ensino regular, que
deverá realizar uma seleção de recursos e técnicas
adequados a cada tipo de comprometimento para o
desempenho das atividades escolares. O objetivo é que
o aluno tenha um atendimento especializado capaz
de melhorar a sua comunicação e a sua mobilidade.
Por esse motivo, o Atendimento
Educacional Especializado faz uso da Tecnologia
Assistiva direcionada à vida escolar do educando com
deficiência física, visando a inclusão escolar.
 Atendimento Educacional Especializado
e o uso da Tecnologia Assistiva no
Ambiente Escolar
A Tecnologia Assistiva, segundo Bersch
(2006, p. 2), “deve ser entendida como um auxílio que
promoverá a ampliação de uma habilidade funcional
deficitária ou possibilitará a realização da função
desejada e que se encontra impedida por circunstância
de deficiência”. Assim, o Atendimento Educacional
Especializado pode fazer uso das seguintes modalidades
da Tecnologia Assistiva, visando à realização de tarefas
acadêmicas e a adequação do espaço escolar.
a) Uso da Comunicação Aumentativa e
Alternativa, para atender as necessidades
dos educandos com dificuldades de fala
e de escrita.
b) Adequação dos materiais didáticopedagógicos
às necessidades dos
educandos, tais como engrossadores de
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Física
lápis, quadro magnético com letras com
ímã fixado, tesouras adaptadas, entre outros.
c) Desenvolvimento de projetos em parceria
com profissionais da arquitetura,
engenharia, técnicos em edificações
para promover a acessibilidade
arquitetônica. Não é uma categoria
exclusivamente de responsabilidade
dos professores especializados que
atuam no AEE. No entanto, são os
professores especializados, apoiados
pelos diretores escolares, que levantam
as necessidades de acessibilidade
arquitetônica do prédio escolar.
d) Adequação de recursos da informática:
teclado, mouse, ponteira de cabeça,
programas especiais, acionadores, entre
outros.
e) Uso de mobiliário adequado: os
professores especializados devem
solicitar à Secretaria de Educação
adequações de mobiliário escolar,
conforme especificações de especialistas
na área: mesas, cadeiras, quadro, entre
outros, bem como os recursos de
auxílio à mobilidade: cadeiras de rodas,
andadores, entre outros.
Que recursos humanos são necessários
ao Atendimento Educacional Especializado para
a Deficiência Física?
São os professores especializados os
responsáveis pelo Atendimento Educacional
Especializado, tendo por função a provisão de
recursos para acesso ao conhecimento e ambiente
escolar. Proporcionam, ao educando com deficiência,
maior qualidade na vida escolar, independência na
realização de suas tarefas, ampliação de sua mobilidade,
comunicação e habilidades de seu aprendizado.
Esses professores, apoiados pelos diretores
escolares, estabelecem parcerias com outras áreas do
conhecimento tais como: arquitetura, engenharia,
terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia,
entre outras, para que desenvolvam serviços e recursos
adequados a esses educandos.
No caso de educandos com graves
comprometimentos motores, que necessitam de
cuidados na alimentação, na locomoção e no uso de
aparelhos ou equipamentos médicos, faz-se necessário
a presença de um acompanhante no período em que
freqüenta a classe comum.
São esses recursos humanos que possibilitam
aos alunos com deficiência física a autonomia, a
segurança e a comunicação, para que eles possam ser
inseridos em turmas do ensino regular.
CAPÍTULO III ....31
Capítulo III - Tecnologia Assistiva – TA
Tecnologia Assistiva – TA
Rita Bersch
Tecnologia assistiva é uma
expressão utilizada para identificar todo o
arsenal de recursos e serviços que
contribuem para proporcionar ou ampliar
habilidades funcionais de pessoas com
deficiência e, conseqüentemente, promover
vida independente e inclusão.
Ainda, de acordo com Dias de Sá,
a tecnologia assistiva deve ser compreendida
como resolução de problemas funcionais,
em uma perspectiva de desenvolvimento das
potencialidades humanas, valorização de
desejos, habilidades, expectativas positivas e
da qualidade de vida, as quais incluem
recursos de comunicação alternativa, de
acessibilidade ao computador, de atividades
de vida diárias, de orientação e mobilidade,
de adequação postural, de adaptação de
veículos, órteses e próteses, entre outros.
(Brasil, 2006, p. 18)
Nesta definição destacamos que a TA é
composta de recursos e serviços. O recurso
é o equipamento utilizado pelo aluno, que
lhe permite ou favorece o desempenho de uma tarefa.
O serviço de tecnologia assistiva na escola é aquele
que buscará resolver os problemas funcionais do
aluno, no espaço da escola, encontrando alternativas
para que ele participe e atue positivamente nas várias
atividades neste contexto.
Fazer TA na escola é buscar, com criatividade,
uma alternativa para que o aluno realize o que deseja ou
precisa. É encontrar uma estratégia para que ele possa
fazer de outro jeito. É valorizar o seu jeito de fazer e
aumentar suas capacidades de ação e interação a partir
de suas habilidades. É conhecer e criar novas alternativas
para a comunicação, escrita, mobilidade, leitura,
brincadeiras, artes, utilização de materiais escolares e
pedagógicos, exploração e produção de temas através do
computador, etc. É envolver o aluno ativamente,
desfiando-se a experimentar e conhecer, permitindo que
construa individual e coletivamente novos conhecimentos.
É retirar do aluno o papel de espectador e atribuir-lhe a
função de ator.
Muitas são as perguntas do professor no seu
encontro com o aluno com deficiência física e, dia
após dia, novos desafios surgirão: ........32
Atendimento Educacional Especializado
 para Alunos com Deficiência Física
• Como poderei avaliar se ele não consegue
escrever como os outros?
• Meu aluno é mais lento para escrever, ler
e falar. Será que acompanhará o ritmo da
turma no aprendizado?
• Parece que ele entende tudo, mas não fala
e não consegue escrever. Como poderei
saber o que ele quer, gosta, aprendeu ou
quais são as suas dúvidas? Existe alguma
forma alternativa de ele comunicar o que
deseja?
• Todos estão utilizando a tesoura e se
sentem orgulhosos por isso. Como posso
fazer para que o meu aluno com
deficiência não se sinta excluído e
incapaz?
• O que faremos na aula de educação física?
• Ele conseguirá se alimentar sozinho?
• Quem ficará responsável por acompanhálo
no deslocamento dentro da escola?
• Ele precisará de ajuda para ir ao banheiro?
Quem o auxiliará? Existe algum jeito de
ele ser mais independente?
Agora, podemos retomar o conceito da
Tecnologia Assistiva e reafirmar que ela significa
“resolução de problemas funcionais”. Para
implementação desta prática (TA) no contexto
educacional, necessitamos de criatividade e disposição
de encontrarmos, junto com o aluno, alternativas
possíveis que visam vencer as barreiras que o impedem
de estar incluído em todos os espaços e momentos da
rotina escolar.
No desenvolvimento de sistemas
educacionais inclusivos as ajudas técnicas
e a tecnologia assistiva estão inseridas no
contexto da educação brasileira, dirigida à
promoção da inclusão de todos os alunos
na escola. Portanto, o espaço escolar deve
ser estruturado como aquele que oferece
também as ajudas técnicas e os serviços de
tecnologia assistiva. (Brasil, 2006, p. 19)
Ajudas técnicas é o termo utilizado na
legislação brasileira, quando trata de garantir:
Produtos, instrumentos e
equipamentos ou tecnologias adaptados
ou especialmente projetados para
melhorar a funcionalidade da pessoa
portadora de deficiência ou com
mobilidade reduzida, favorecendo a
autonomia pessoal, total ou assistida.
(art. 61 do decreto nª 5.296/04)
Ajudas técnicas é, portanto, sinônimo de
tecnologia assistiva no que diz respeito aos recursos
que promovem funcionalidade de pessoas com
deficiência ou com incapacidades advindas do
envelhecimento.
É importante ressaltar que a legislação
brasileira garante ao cidadão brasileiro com deficiência
ajudas técnicas, portanto o professor especializado,
sabendo desse direito do aluno, deve ajudá-lo a
identificar quais são os recursos necessários para a sua
educação, a fim de que ele possa recorrer ao poder
público e obter esse benefício.
O Decreto nª 3.298 de 20 de dezembro de
1999 cita quais são os recursos garantidos às pessoas
com deficiência e entre eles encontramos:
Equipamentos, maquinarias e
utensílios de trabalho especialmente
desenhados ou adaptados para uso por
pessoa portadora de deficiência; elementos
de mobilidade, cuidado e higiene pessoal
necessários para facilitar a autonomia e a
segurança da pessoa portadora de deficiência;
elementos especiais para facilitar a
comunicação, a informação e a sinalização
para pessoa portadora de deficiência;
equipamentos e material pedagógico
especial para educação, capacitação e
recreação da pessoa portadora de
deficiência; adaptações ambientais e outras
que garantam o acesso, a melhoria funcional
e a autonomia pessoal.
Retomando o tema da implementação da
TA na escola entende-se que Atendimento Educacional
Especializado será àquele que estruturará e
disponibilizará o Serviço de TA e os espaços para
organização desse serviço serão as “Salas de Recursos
Multifuncionais”.
Salas de recursos multifuncionais
são espaços da escola onde se realiza o
Atendimento Educacional Especializado
para os alunos com necessidades educacionais
especiais, por meio de desenvolvimento de
estratégias de aprendizagem, centradas em
um novo fazer pedagógico que favoreça a
construção de conhecimentos pelos alunos,
subsidiando-os para que desenvolvam o
currículo e participem da vida escolar.
(BRASIL, 2006, p. 13)
Nas salas de recursos multifuncionais,
destinadas ao atendimento especializado na escola, é
que o aluno experimentará várias opções de
equipamentos, até encontrar o que melhor se ajusta à
sua condição e necessidade. Junto com o professor
especializado aprenderá a utilizar o recurso, tendo
por objetivo usufruir ao máximo desta tecnologia.
Após identificar que o aluno tem sucesso com a
utilização do recurso de TA, o professor especializado
deverá providenciar que este recurso seja transferido
para a sala de aula ou permaneça com o aluno, como
um material pessoal.
[...] as ajudas técnicas e a
tecnologia assistiva constituem um
campo de ação da educação especial que
têm por finalidade atender o que é
específico dos alunos com necessidades
educacionais especiais, buscando recursos
e estratégias que favoreçam seu processo
de aprendizagem, habilitando-os
funcionalmente na realização das tarefas
escolares.
No processo educacional,
poderão ser utilizadas nas salas de
recursos tanto a tecnologia avançada,
quanto os computadores e softwares
específicos, como também recursos de
baixa tecnologia, que podem ser obtidos
ou confeccionados artesanalmente pelo
professor, a partir de materiais que fazem
parte do cotidiano escolar. (BRASIL,
2006, p. 19)
Os serviços de TA são geralmente de
característica multidisciplinar e devem envolver
profundamente o usuário da tecnologia e sua família,
bem como os profissionais de várias áreas, já envolvidos
no atendimento deste aluno. Outros profissionais como
os fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais,
fisioterapeutas e psicólogos poderão auxiliar os
professores na busca da resolução de dificuldades do
aluno com deficiência. Convênios com secretaria da
saúde e integração das equipes sempre serão bem-vindos.
Outra alternativa interessante será o estabelecimento de
contatos do professor especializado com os profissionais
que já atendem seu aluno em instituições de reabilitação.
Esses profissionais, que já conhecem o aluno, poderão
compor com a escola a equipe de TA. É importante,
também, que o professor especializado saiba que a
reabilitação é um direito garantido por lei (Decreto nª
5.296/04) a todo brasileiro com deficiência e, se seu
aluno não está recebendo acompanhamento nesta área,
poderá também solicitar ao Estado.
No âmbito da educação, o serviço de TA vai
além do simplesmente auxiliar o aluno a fazer tarefas
pretendidas. As palavras de Mantoan sobre o encontro
entre a tecnologia e a educação fala muito bem do
papel do educador e sua função primordial junto ao
aluno com deficiência:
O desenvolvimento de projetos
e estudos que resultam em aplicações de
natureza reabilitacional são, no geral,
centrados em situações locais e tratam de
incapacidades específicas. Servem para
compensar dificuldades de adaptação,
cobrindo déficits de visão, audição,
mobilidade, compreensão. Assim sendo,
tais aplicações, na maioria das vezes,
conseguem reduzir as incapacidades,
atenuar os déficits: Fazem falar, andar,
ouvir, ver, aprender. Mas tudo isso só
não basta. O que é o falar sem o ensejo e
o desejo de nos comunicarmos uns com
os outros? O que é o andar se não
podemos traçar nossos próprios
caminhos, para buscar o que desejamos,
para explorar o mundo que nos cerca? O
que é o aprender sem uma visão crítica,
sem viver a aventura fantástica da
construção do conhecimento? E criar,
aplicar o que sabemos, sem as amarras
dos treinos e dos condicionamentos?
Daí a necessidade de um
encontro da tecnologia com a educação,
entre duas áreas que se propõem a integrar
seus propósitos e conhecimentos,
buscando complementos uma na outra.
(Mantoan , mimeo)
Avaliação e Implementação da TA
Tendo agora o entendimento conceitual da
TA e sua importância na inclusão escolar de alunos
com deficiência, sugerimos uma reflexão sobre um
Processo de Avaliação Básica, proposto pelo Center
on Disabilities da California State University de
Northridge (2006), que nos ajuda a organizar os
passos necessários, desde o conhecimento do aluno,
a implementação da tecnologia assistiva e seguimento
para observação dos benefícios que a tecnologia traz
ao aluno ou a verificação da necessidade de
atualização do recurso proposto. Neste protocolo
de avaliação básica para implementação da TA são
propostos 10 passos:
Devemos conhecer o aluno, sua história, suas
necessidades e desejos, bem como identificar quais são
as necessidades do contexto escolar, incluindo seu
professor, seus colegas, os desafios curriculares e as
tarefas exigidas no âmbito coletivo da sala de aula e as
possíveis barreiras encontradas que lhe impedem o
acesso aos espaços da escola ou ao conhecimento.
A partir desse levantamento, precisamos
estabelecer metas a atingir e definir objetivos que,
como equipe, pretendemos alcançar, para atender às
expectativas do aluno e do contexto escolar.
Vamos observar o aluno e esta avaliação
servirá essencialmente para pesquisarmos suas
habilidades. Em TA aproveitamos aquilo que o aluno
consegue fazer e ampliamos esta ação através da
introdução de um recurso.
Conhecendo necessidades e habilidades do
aluno e tendo objetivos claros a atingir, pesquisamos
sobre os recursos disponíveis para aquisição ou
desenvolvemos um projeto para confecção de um
recurso personalizado que atenda aos nossos objetivos.
O aluno precisará de um tempo para
experimentar, aprender e ele mesmo definir se o
resultado vai ao encontro de suas expectativas e
necessidades.
Confirmada a eficácia do recurso proposto,
devemos fornecê-lo ao aluno ou orientá-lo para a
aquisição. Todo o projeto de TA encontra sentido se
o aluno, ao sair da escola, leva consigo o recurso que
lhe garante maior habilidade. É importante
entendermos que a TA é um recurso do usuário e não
pode ficar restrita ao espaço do atendimento
especializado. A implementação da TA se dá, de fato,
quando o recurso sai com o aluno e fica ao seu serviço,
em todos os espaços, onde for útil. A equipe de TA
deverá conhecer fontes de financiamento e propor à
escola a aquisição dos recursos que venham atender às
necessidades de seus alunos.
A equipe de TA deverá seguir o aluno e
acompanhar o seu desenvolvimento no uso da
tecnologia. Modificações podem ser necessárias, assim
como novos desafios funcionais aparecerão dia a dia,
trazendo novos objetivos para intervenção destes
profissionais.
Durante todo o processo de avaliação
básica, deveremos promover e avaliar os mecanismos
existentes para o fortalecimento da equipe que atua
no serviço de TA. Neste ponto, valoriza-se a
organização do serviço implementado, questões de
liderança, trocas efetivas de experiências, objetividade
nas ações e resultados obtidos pela equipe. Este item
perpassa todos os outros e a ação interdisciplinar,
que envolve também o aluno e sua família, é
fundamental para que se tenha um bom resultado na
utilização da TA.
Modalidades da TA
A TA se organiza em modalidades ou
especialidades e essa forma de classificação varia
conforme diferentes autores ou instituições que
trabalham com a TA. A organização por modalidades
contribui para o desenvolvimento de pesquisas,
recursos, especializações profissionais e organização
de serviços.
Podemos citar como modalidades:
• Auxílios para a vida diária e vida
prática.
• Comunicação Aumentativa e
Alternativa.
• Recursos de acessibilidade ao
computador.
• Adequação Postural (posicionamento
para função).
• Auxílios de mobilidade.
• Sistemas de controle de ambiente.
• Projetos arquitetônicos para
acessibilidade.
• Recursos para cegos ou para pessoas com
visão subnormal.
• Recursos para surdos ou pessoas com
déficits auditivos.
• Adaptações em veículos.
Como este material está voltado
especificamente à inclusão do aluno com deficiência
física, aprofundaremos somente algumas dessas
modalidades. É importante que, a partir do
entendimento conceitual, o professor que trabalha
com alunos cegos saiba que o livro em braile, o
material pedagógico confeccionado em relevo, os
programas de computador que fazem o retorno
auditivo, também são TA. Para o aluno surdo, o
material especificamente produzido com referencial
gráfico visual e que procura traduzir o que é
comumente escutado, ou a campainha que é substituída
por sinalização visual etc., também é TA. Para o aluno
com dificuldades de aprender a ler e a escrever,
podemos construir ou disponibilizar recursos e
materiais especiais com apoio de símbolos gráficos
junto à escrita. Para esse aluno, o computador, com
software de retorno auditivo, auxiliará a explorar mais
facilmente os conteúdos de textos e tudo isso é TA.
CAPÍTULO IV ......41
Capítulo IV - Auxílio em atividades de vida diária -
Material escolar e pedagógico adaptado
Auxílio em Atividades de Vida Diária – Material
Escolar e Pedagógico Adaptado
Rita Bersch
Rosângela Machado
E xiste uma área da TA que se ocupa com o
desenvolvimento de recursos que favorecem
funções desempenhadas pelas pessoas com
deficiência em seu cotidiano, buscando que as realizem
com o melhor desempenho e independência possível.
Desde o amanhecer até o fim de nosso dia
executamos muitas funções que fazem parte de nossa
rotina: acordamos, fazemos a nossa higiene, vestimos
a roupa, preparamos nosso alimento, nos alimentamos
e saímos de nossas casas. Na escola ou trabalho uma
nova lista de atividades ou tarefas se apresenta e, sem
nos darmos conta, realizamos uma após a outra até o
final do nosso dia, quando retornamos para casa e
vamos descansar.
Um aluno com deficiência física pode ter
dificuldade em realizar muitas destas tarefas rotineiras
na escola e por isso depende de ajuda e cuidados de
outra pessoa. Não participando ativamente das
atividades escolares, ele fica em desvantagem, pois não
tem oportunidades de se desafiar e criar como seus
colegas. É muito freqüente encontrarmos alunos que
assistem seus colegas e não podem ser atores do seu
processo de descoberta e aquisição de conhecimento.
Quando falamos em tecnologia assistiva,
significa que desejamos resolver com criatividade os
problemas funcionais de pessoas com deficiência e
nos remetemos a encontrar alternativas para que as
mesmas tarefas do cotidiano sejam realizadas de outro
modo. Para isso podemos introduzir um recurso que
favoreça o desempenho desta atividade pretendida ou
podemos modificar a atividade, para que possa ser
concluída de outra forma.
1. Resolvendo com criatividade
problemas funcionais
A partir de agora descrevemos várias
situações reais que fazem parte da rotina escolar e
apresentamos alternativas e recursos que foram
aplicados nestes casos. Esperamos que este material
sirva como fonte inspiradora para tantos outros
recursos e alternativas que ainda surgirão. ........42
Atendimento Educacional Especializado
 para Alunos com Deficiência Física
Vejamos alguns exemplos:
Recorte
Na educação infantil todas as crianças estão
se desafiando no uso da tesoura. Alguns alunos
possuem maior facilidade, outros ainda mostram
dificuldades, mas todos estão orgulhosos de seus
feitos. Nesse caso, o menino com deficiência física
não poderá participar da atividade de recorte e
colagem, a menos que consigamos uma tesoura
diferente para que ele possa manejá-la com a habilidade
que possui (fechar a mão ou bater a mão). Encontramos
ou construímos uma tesoura adaptada para nosso
aluno, mas ele ainda não consegue manejar
simultaneamente a tesoura e o papel. Nesse caso,
mudamos a atividade, que de individual passa a ser
coletiva: o grupo de alunos trabalha junto e um colega
segura o papel, o outro usa a tesoura, o outro passa a
cola e juntos fazem a colagem.
Figura 1 – Tesoura adaptada com arame revestido.
Figura 2 – Cortando com a tesoura adaptada.
Figura 3 – Tesoura adaptada em suporte fixo.
Figura 4 – Cortando com a tesoura em suporte fixo.
Fugira 5 – Tesoura elétrica ativada por acionador.
A tesoura mola exige somente o movimento
de fechar a mão (figuras 1 e 2) (http://www.expansao.com/);
a tesoura mola sobre suporte fixo, exige somente o
movimento de bater a mão (figuras 3 e 4). A tesoura
elétrica é controlada por acionadores (figura.5) (www.
ablenetinc.com e http://www.clik.com.br/).
Desenho e Pintura
Outras atividades muito freqüente na escola são
o desenho e a pintura. Através dele o aluno representa seu
entendimento, seus sentimentos etc. Nesse caso podemos
enfrentar o problema de manejo do lápis, giz de cera ou
pincel, que exigem uma habilidade motora fina. Além de
manusear estes instrumentos o aluno fixa, com a outra
mão, o papel no qual vai desenhar. Esta tarefa pode ser
muito difícil para algumas crianças e podemos pensar em
alternativas para lhes auxiliar.
A primeira idéia seria a de fixar a folha com fita
adesiva ou em uma prancheta. Precisamos verificar qual a
habilidade de preensão da mão deste aluno e escolher uma
alternativa como um engrossador para o lápis ou pincel.
As fotos que seguem ilustram algumas alternativas
possíveis:
A “aranha-mola” é um arame revestido, onde os
dedos e a caneta são encaixados. (http://www.expansao.com/)
Figura 6 – Aranha-mola.
Os movimentos involuntários podem ser
inibidos por uma pulseira imantada. Na caneta, um
engrossador de borracha também facilita a preensão e
escrita. (Figura 7) (http://www.expansao.com/).
Figura 7 – Pulseira imantada.
Um engrossador de lápis pode ser feito com
espuma macia (Figura 8) e órteses podem melhorar a
posição da mão do aluno e ainda conter um dispositivo
para fixar o lápis. (Figura 9) (http://www.expansao.com/).
Figura 8 – Engrossador de espuma.
Figura 9 - Órtese.
Várias adaptações podem ser confeccionadas,
utilizando-se materiais que originalmente tinham outra
função. Uma bola de borracha encontrada em farmácias
e que faz parte do “sugador de leite” pode tornar-se um
recurso ótimo de adaptação do lápis. (Figura 10)
Figura 10 – Adaptação de borracha.
Podemos confeccionar engrossadores de
lápis, pincéis, giz de cera, rolo para pintura e tubo de
cola colorida, utilizando uma espuma encontrada em
ferragens e que, originalmente, serve para o
revestimento de encanamento de água quente. Esta
espuma é vendida em metro e a encontramos em
vários diâmetros. (Figura 11)
Figura 11 – Engrossadores de espuma.
No caso de crianças sem possibilidade de usar
as mãos, podemos usar uma ponteira para a boca ou
cabeça e com ela fazer, além da digitação, o desenho, a
pintura, virar a página, entre outros. (Figura 12)
Figura 12 – Ponteira de cabeça.
Na ponteira de boca a ponta intraoral deve
ter o formato em “U”. Dessa forma, garantirá maior
fixação pela ação de toda a arcada dentária.
Poderemos também experimentar recursos
que sejam utilizados com os pés, com ou sem acessórios
de ajuda para fixar o lápis, pincel ou outro acessório.
Apontar o Lápis
Durante a escrita ou desenho é comum
quebrar a ponta do lápis.
Será que é possível meu aluno fazer a ponta
de seu lápis se consegue manejar bem somente uma
das mãos? Foi essa pergunta que inspirou a criação de
um apontador adaptado: um apontador comum foi
colado sobre um taco de madeira e, dessa forma, a
mão que apresenta maior dificuldade consegue fixar o
taco enquanto a outra maneja o lápis dentro do
apontador. (Figura 13)
 Figura 13 – Apontador adaptado.
Manusear o Livro
Na escola muitos livros são utilizados e isso
exige habilidades. Buscando resolver as dificuldades que
surgem nessa tarefa, descrevemos algumas adaptações
que foram sugeridas para alunos com deficiência física.
Para melhor visualizar o texto e as gravuras,
em alguns casos, é recomendável colocar o livro na
altura dos olhos do aluno, com o auxílio do plano
inclinado. (Figura 14)
Figura 14 – Plano inclinado
Para fixar o livro sobre a mesa poderemos
colocar velcro na contra capa do livro e na mesa.
Desta forma, mesmo se o aluno utilizar muita força
ou tiver movimentos involuntários, o livro não se
deslocará durante a troca da página.
Também podemos usar separadores de páginas
colando feltro adesivo (normalmente colado sob os pés
de cadeiras) entre uma página e outra. (Figura 15)
Figura 15 – Separador de páginas de feltro ou espuma.
Outra idéia que favorece alguns alunos é de
colar um pequeno velcro em cada pé de página do livro
e confeccionar uma luva de dedo, com velcro oposto
na ponta. O contato do dedo da luva, com o velcro da
folha, facilitará a ação de virar a página. (Figura 16)
Figura 16 – Auxílio para virar a página do livro com velcro.
Jogos Variados
Jogos utilizados em sala de aula também
podem sofrer adaptações para que o aluno consiga
participar com autonomia.
Jogo de “quebra-cabeça”: confeccionado
com papelão, rótulos ou figuras, papel contact e velcro
fixado na base e no verso das peças. (Figura 17)
Figura 17 – Quebra-cabeças com velcro.
Jogo das cores: jogos confeccionados com
tampinhas coloridas, caixa de papelão, papel contact,
velcro, folhas coloridas e latas revestidas de cores. O
aluno brinca fazendo a correspondência das cores e
depois pode explorar outros conceitos como
quantidades. (Figura 18)
Figura 18 – Brincando com as cores.
Jogos de matemática: tampinhas, cartões
plastificados, velcro e desafios matemáticos. (Figura 19)
Figura 19 – Jogos matemáticos.
Jogo de cartas: foi construída uma base para
fixar as cartas, possibilitando jogar com apenas uma
mão. (Figura 20)
Figura 20 – Suporte para cartas.
Jogos que estimulam a leitura e escrita:
confeccionados com cubos de madeira, letras em EVA
(lâmina emborrachada), tampinha de leite, figuras
impressas, papelão, contact e velcro. (Figuras 21 e 22)
Figura 21 – Jogo que estimula a leitura.
Figura 22 – Jogos que estimulam a escrita.
No caso de o aluno se cansar muito ou não
conseguir escrever utilizando o lápis ou a caneta, mesmo
adaptados, poderemos pensar em outras soluções para a
escrita:
Escrever usando letras em EVA (lâminas
emborrachadas), em cubos de madeira, em cartões de
papelão, coladas sobre tampinhas etc. Ao confeccionar
esse material devemos estar atentos à habilidade de
preensão do aluno e também ao seu controle motor.
Será muito útil que a base que recebe as letras tenha
uma superfície de aderência (velcro ou suporte de
encaixe). Dessa forma, mesmo que o aluno tenha
tremores ou movimentos involuntários, as letras se
fixam e ele consegue com mais facilidade compor a
palavra ou o texto que deseja. (Figura 23)
Figura 23 – Escrita Alternativa.
Prancha com letras: é uma folha de papel
contendo todo o alfabeto. O aluno aponta ou olha
para a letra que deseja escrever e o colega, ou seu
acompanhante, vai compondo o texto. (Figura 24)
Figura 24 – Prancha de letras.
O processo de seleção da letra pode ser feito
pelo aluno de forma direta ou indireta. Na forma direta
o próprio aluno consegue levar o dedo, o olhar, ou
outra parte do corpo sobre a letra que deseja selecionar.
Na forma indireta é o professor ou o auxiliar, que passa
a mão sobre a prancha de letras e quando ele toca na
letra que o aluno deseja escrever, este emite um sinal
afirmativo, que pode ser um som ou um gesto. Esse
segundo sistema de seleção é também denominado de
varredura.
• Máquina de escrever convencional ou
elétrica. Uma máquina de escrever,
especialmente a máquina elétrica, que
exige menos força, pode ser muito útil
para um aluno em sala de aula.
• AlphaSmart 3.000. Trata-se de um
teclado portátil chamado AlphaSmart,
que arquiva os textos digitados que
poderão ser descarregados posteriormente
em um computador ou impressora.
(http://www.alphasmart.com/ e http://www.clik.com.br/)
(Figura 25)
Figura 25 – Alphasmart 3.000
O computador, com recursos de
acessibilidade, pode ser também uma alternativa para
o aluno que necessita de escrita rápida. (http://www.clik/.
com.br). (Figura 26)
Figura 26 – Teclado com recursos de acessibilidade.
Leitura
Alguns alunos apresentam dificuldades em
acompanhar a turma e seu ritmo para aprender a
leitura é diferenciado. Nesse caso, os textos apoiados
com símbolos facilitarão a competência no
entendimento do texto. O aluno se desafiará a ler e
terá mais sucesso, o que favorecerá sua auto-estima.
Imerso no contexto de escrita e símbolos, ele passa a
fazer leitura global e tem acesso a novos conhecimentos
com autonomia. Através do software Escrevendo com
Símbolos (http://www.clik.com.br/) o professor especializado
poderá produzir, para o aluno, os textos apoiados por
símbolos. (Figuras 27)
Figura 27 – Texto produzido com o software “Escrevendo
com Símbolos”.
2. Rompendo barreiras para o
Aprendizado
Muitas são as ações da rotina escolar e o
professor da sala de aula precisa ficar atento e avaliar
o nível de participação do aluno. Junto com seu
aluno, ele deve fazer chegar ao professor especializado
todas as necessidades de apoio para que, no espaço do
especializado, sejam desenvolvidos os
recursos e as estratégias favoráveis, no sentido de
qualificar a interação do aluno com o grupo e
promover acesso ao conhecimento escolar.
A equipe de profissionais da reabilitação
também poderá colaborar buscando encontrar o
recurso de TA que melhor corresponda à necessidade
do aluno.
O tema relativo ao material escolar e
pedagógico adaptado deve despertar no professor e no
professor especializado a atenção e a criatividade para
resolução de possíveis barreiras que impedem o acesso
ao aprendizado.
A iniciativa de implementação
de salas de recursos multifuncionais nas
escolas públicas de ensino regular responde
aos objetivos de uma prática educacional
inclusiva que organiza serviços para o
Atendimento Educacional Especializado,
disponibiliza recursos e promove
atividades para desenvolver o potencial de
todos os alunos, a sua participação e
aprendizagem. Essa ação possibilita o
apoio aos educadores no exercício da
função docente, a partir da compreensão
de atuação multidisciplinar e do trabalho
colaborativo realizado entre professores
das classes comuns e das salas de recursos.
(Brasil, 2006, p. 12)
Na prática, o desenvolvimento de recursos
para a aprendizagem dos alunos com deficiência leva
os docentes a desenvolver recursos para todos. Todos
os alunos gostam e se desafiam diante de materiais
ricos em estímulos e a aula se torna mais atraente,
significativa e todos se beneficiam.
A tecnologia assistiva, na perspectiva de
inclusão escolar, não deve se voltar unicamente a
promover uma habilidade no aluno, fazendo com que
ele realize tarefas como as de seus colegas. A TA na
educação será o meio pelo qual esse aluno possa fazer
do seu jeito e assim ele se tornará protagonista de sua
história, ativo no seu processo de desenvolvimento e
aquisição de conhecimentos.
CAPÍTULO V ......57
Capítulo V - Comunicação Aumentativa e Alternativa – CAA
Comunicação Aumentativa e Alternativa – CAA
Carolina R. Schirmer
Rita Bersch
1. Introdução à CAA
Desde o momento em que o ser humano diz suas
primeiras palavras, a linguagem facilita o
encontro de desejos, necessidades, interação
social, acesso às informações e conhecimento sobre o
complexo mundo em que vive. Existem várias razões pelas
quais as habilidades lingüísticas de um sujeito podem estar
inadequadas: um acidente, uma doença ou um problema
em seu desenvolvimento. Qualquer que seja a causa, a
situação é sempre muito frustrante e limitante, tanto para
o sujeito quanto para as pessoas ao seu redor. Sabemos que
a comunicação é o agente de ligação entre idéias, sensações
e o meio, permitindo uma melhor interação entre os
sujeitos, bem como uma mudança constante em nossa
aprendizagem, pelas trocas que nos proporciona.
Nos últimos 35 anos, indivíduos impossibilitados
de se expressar oralmente de maneira adequada, ou seja,
pela fala, vêm tendo a oportunidade de utilizar recursos
alternativos para que a sua comunicação se efetive.
A capacidade de muitas crianças com dificuldades
significantes no desenvolvimento, na aquisição e no uso de
linguagem; está comprometida pelas suas dificuldades na
produção da fala. Para desenvolver a linguagem, essas
requerem intervenção, utilizando modalidades alternativas
que compensem a fala inexistente ou limitada. Porém não
é o que ocorre com a maioria das crianças com alterações
neuromotoras, onde a alteração de linguagem é uma das
principais características.
O trabalho com os recursos de tecnologia
assistiva, em especial a comunicação aumentativa e
alternativa, ainda é pouco divulgado no Brasil e parece
existir, por parte dos profissionais e familiares,
desconhecimento e insegurança a respeito de sua
introdução e uso. É muito comum encontrarmos um
grande número de alunos com necessidades
educacionais especiais, em especial os paralisados
cerebrais, que são falantes não funcionais ou nãofalantes
1 e isso justifica a necessidade de aprofundarmos
o conhecimento sobre a Comunicação Aumentativa e
Alternativa, vislumbrando sua implementação no
Atendimento Educacional Especializado.
1 Pessoas são consideradas não-falantes em duas situações:
quando apresentam um comprometimento severo na fala por
problemas físicos, neuromusculares, cognitivos ou déficits
emocionais e não possuem prejuízos na audição; quando,
no presente tempo usam fala independente como primeira
forma de comunicação, porém não são compreendidos por
outras pessoas que não são de convívio muito próximo. Nesse
podemos incluir pessoas com prejuízos sensoriais........ 58
Atendimento Educacional Especializado
 para Alunos com Deficiência Física
2. O que é a Comunicação
Aumentativa e Alternativa
A Comunicação Aumentativa e
Alternativa – CAA2 é uma das áreas da TA
que atende pessoas sem fala ou escrita
funcional ou em defasagem entre sua
necessidade comunicativa e sua habilidade
em falar e/ou escrever. Busca, então, através
da valorização de todas as formas expressivas
do sujeito e da construção de recursos
próprios desta metodologia, construir e
ampliar sua via de expressão e compreensão.
Recursos como as pranchas de comunicação,
construídas com simbologia gráfica
(desenhos representativos de idéias), letras
ou palavras escritas, são utilizados pelo
usuário da CAA para expressar seus
questionamentos, desejos, sentimentos e
entendimentos. A alta tecnologia nos
permite também a utilização de vocalizadores
(pranchas com produção de voz) ou do
computador, com softwares específicos,
garantindo grande eficiência na função
comunicativa. Dessa forma, o aluno com
deficiência, passa de uma situação de
passividade para outra, a de ator ou de
sujeito do seu processo de desenvolvimento.
(Bersch e Schirmer , 2005, p. 89)
2 Também encontramos na literatura os termos comunicação
ampliada e alternativa, comunicação suplementar e alternativa.
Portanto a CAA é considerada uma área da
prática clínica e educacional que se propõe a compensar
(temporária ou permanentemente) a incapacidade ou
deficiência do sujeito com distúrbio severo de
comunicação. Tem como objetivo valorizar todos os
sinais expressivos do sujeito, ordenando-os para o
estabelecimento de uma comunicação rápida e
eficiente. (Schirmer , 2004, p. 46)
Dizemos que a comunicação é aumentativa
quando o sujeito utiliza um outro meio de
comunicação para complementar ou compensar
deficiências que a fala apresenta, mas sem substituí-la
totalmente. E que comunicação é alternativa quando
utiliza outro meio para se comunicar ao invés da fala,
devido à impossibilidade de articular ou produzir
sons adequadamente. (Tet zchner e
Martinsen ,1992, p. 22)
O objetivo da CAA é tornar o sujeito com
distúrbio de comunicação o mais independente e
competente possível em suas situações comunicativas,
podendo assim ampliar suas oportunidades de
interação com os outros, na escola e na comunidade
em geral. (Schirmer , 2004, p. 46)
Uma aplicação efetiva de CAA envolve
geralmente uma abordagem multimodal. Ela pode
empregar a combinação de diferentes modos de ação,
expressões faciais e auxílios de comunicação.
As informações contidas neste capítulo
constituem uma introdução ao campo da CAA. Estão
incluídas informações e sugestões para o uso eficaz de
simbologia gráfica em pranchas de comunicação e
outros materiais. Apesar do foco ser dirigido a crianças
com distúrbios severos de comunicação, esta
abordagem e materiais também podem ser modificados
e utilizados com adolescentes e adultos.
3. Quem pode se beneficiar do uso  de CAA?
A CAA destina-se a sujeitos de todas as
idades, que não possuem fala e ou escrita funcional
devido a disfunções variadas como, por exemplo:
paralisia cerebral, deficiência mental, autismo,
acidente vascular cerebral, traumatismo
cranioencefálico, traumatismo raquiomedular,
doenças neuromotoras (como, por exemplo, à esclerose
lateral amiotrófica), apraxia oral e outros
(TETZCHNER e MARTINSEN,1992, p. 23).
No passado pensava-se que um indivíduo
não era candidato a um auxílio de comunicação
porque já apresentava alguma fala ou porque poderia
falar no futuro. Temia-se que se a pessoa aprendesse
alguma forma alternativa de comunicação, a motivação
e as oportunidades para aprender a falar seriam
diminuídas. Hoje se sabe que acontece exatamente o
contrário, os sujeitos que usam a CAA e que
desenvolvem a fala tornam-se falantes mais
competentes.
Há vários motivos pelos quais a
comunicação alternativa pode realmente
melhorar as chances de uma pessoa
desenvolver as habilidades de fala.
Quando a fala é experimentada ou
trabalhada isoladamente geralmente
produz tensão. Para muitos indivíduos
essa tensão diminui as chances de fala
compreensível, e o resultado é o aumento
da sua frustração. Quando o indivíduo
usa o auxílio de CAA, sua fala torna-se
mais relaxada e, por isso, melhor sucedida.
(Johnson , 1998, p. 2).
Por exemplo, se pensarmos em um aluno
com paralisia cerebral3 do tipo espástica4 com uma
disartria moderada5 em uma sala de aula. Quando a
professora faz algum questionamento à turma e este
aluno tenta responder, podemos ter uma fala, nesse
momento, ininteligível. Essa é uma situação de grande
tensão, que provavelmente elevará ainda mais seu
tônus muscular, deixando-o rígido. Se utilizarmos um
recurso de apoio, como uma prancha com letras, onde
o aluno possa escrever ao menos as primeiras letras do
que está tentando falar, teremos uma comunicação
mais eficiente e menos angustiante para todos.
3 Lesão cerebral em área motora, não evolutiva e que afeta a
criança no período que vai desde a concepção até o final
da primeira infância.
4 Com tônus muscular hipertônico que dificulta a execução
e coordenação dos movimentos.
5 Dificuldade na articulação e conseqüentemente na
pronúncia das palavras.
Também temos que pensar que as crianças
que necessitam de CAA têm alto risco de apresentar
atraso no desenvolvimento da linguagem e necessitam
estímulos de linguagem de todos os modos possíveis.
Quando a comunicação se torna realmente funcional,
as habilidades aprendidas na linguagem são transferidas
(como por exemplo, a extensão lexical-vocabulário ou a
organização sintática-organização da frase).
Concluindo, podemos afirmar que a CAA
favorecerá pessoas de todas as idades e que necessitam
de recursos e/ou estratégias que ampliem ou
desenvolvam sua habilidade de comunicação. A
introdução da CAA deve acontecer sempre que houver
um distanciamento entre a capacidade compreensiva e
expressiva de um sujeito ou quando a possibilidade de
se fazer entender é menor do que a de seus pares (pessoas
da mesma idade), diminuindo assim as oportunidades
de interação e relacionamentos deste indivíduo.
4. Sistemas de Comunicação
Aumentativa e Alternativa – SCAA
Chamamos de SCAA os recursos6, as
estratégias7 e as técnicas8 que apóiam modos de
6 São exemplos de recursos as pranchas de comunicação, os cartões
com fotos ou símbolos gráficos, os objetos concretos que serão
apontados para referir uma mensagem a ser comunicada etc.
7 Uma estratégia de comunicação pode ser a sinalização do “sim”
e do “não” através de gestos ou expressões faciais e a postura do
parceiro de comunicação, que deverá fazer perguntas objetivas
que valorizem estas respostas.
8 Uma técnica de comunicação pode ser apontar diretamente
comunicação existentes (fala reduzida e pouco
inteligível) ou substituem a fala.
5. O que são os recursos de CAA?
Os sistemas de CAA podem ser organizados

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